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Neurodiversidade

TDAH na infância: sinais, avaliação e onde buscar ajuda

Mãos de criança com lápis sobre um caderno, ao lado de uma ampulheta e de um cartão com desenhos.
Neste artigo
  1. O que é TDAH
  2. Entenda o porquê: quando é jeito de criança e quando é sinal
  3. Como é feita a avaliação
  4. E depois da avaliação

Não para quieto, perde tudo, não termina a lição, interrompe todo mundo. Toda criança tem dias assim, e por isso a dúvida é tão comum: é jeito de criança ou é TDAH? Este texto explica o que é o transtorno, quais sinais merecem atenção, como funciona a avaliação e onde buscar ajuda, inclusive pelo SUS. Ele não substitui a consulta: serve para você chegar a ela mais preparado.

O que é TDAH

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento que começa na infância 2. O Ministério da Saúde o descreve por três sintomas principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade 1. Algumas pessoas têm mais sinais de desatenção, outras mais de hiperatividade e impulsividade, e outras dos dois tipos 2.

Segundo a Academia Americana de Pediatria, o TDAH é um dos transtornos de neurodesenvolvimento mais comuns da infância, presente em cerca de 7% a 8% das crianças e jovens 3. O Ministério da Saúde cita estimativas de 5% a 8% no mundo 1.

Entenda o porquê: quando é jeito de criança e quando é sinal

Desatenção e agitação existem em toda criança, principalmente nas pequenas, cansadas, com fome ou entediadas. O que diferencia o TDAH não é ter esses comportamentos, e sim a intensidade, a frequência e o prejuízo que eles causam. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos descreve os comportamentos do TDAH como frequentes e presentes em várias situações 2. Para a Academia Americana de Pediatria, o diagnóstico exige sintomas e prejuízo em mais de um ambiente importante da vida, como a casa e a escola 3.

Exemplos de sinais, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental 2:

  • Desatenção: dificuldade de prestar atenção, de se manter na tarefa, de se organizar.
  • Hiperatividade: mexer-se o tempo todo, inclusive quando não é hora, inquietação, falar demais.
  • Impulsividade: interromper, se intrometer, ter dificuldade de esperar a vez.
Diagrama do caminho da avaliação de TDAH: sinais, consulta, avaliação clínica e plano.

O caminho da avaliação: dos sinais em casa e na escola à consulta e às informações de quem convive com a criança.

Como é feita a avaliação

  1. É clínica. O diagnóstico do TDAH é feito por avaliação clínica, que pode usar escalas e testes específicos; não existe exame que identifique o transtorno 1.
  2. Começa a partir dos 4 anos. A diretriz da Academia Americana de Pediatria orienta avaliar crianças e adolescentes de 4 a 18 anos que tenham dificuldade escolar ou de comportamento junto com sinais de desatenção, hiperatividade ou impulsividade 3. Abaixo de 4 anos, a diretriz considera a evidência insuficiente para diagnosticar, embora a orientação aos pais sobre comportamento possa ser indicada 3.
  3. Junta informações de vários lugares. Pais ou responsáveis, professores e outros profissionais que acompanham a criança contribuem com relatos 3. Leve para a consulta exemplos concretos e, se puder, um bilhete da escola.
  4. Descarta outras causas. O profissional precisa afastar outras explicações para os sinais 3. Sono ruim, por exemplo, pode afetar atenção e comportamento 5.
  5. Olha o que vem junto. A diretriz recomenda investigar condições que podem aparecer junto com o TDAH, como ansiedade, dificuldades de aprendizagem e de linguagem, autismo e alterações de sono 3.

E depois da avaliação

O cuidado é feito sob medida. Para crianças de 4 a 5 anos, a diretriz da Academia Americana de Pediatria indica como primeira linha a orientação comportamental aos pais e intervenções em sala de aula, quando disponíveis 3. Para as maiores, o plano pode combinar estratégias diferentes, definidas com a equipe de saúde. Em casa e na escola, rotina previsível, espaço fixo de estudo e tarefas divididas em partes ajudam qualquer criança, com ou sem TDAH 4.

Para outros temas da neurodiversidade, veja crise no autismo: como acolher e seletividade alimentar no autismo.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Entre 5% e 8% da população mundial apresenta TDAH (notícia) (2022). gov.br
  2. National Institute of Mental Health (NIH). Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (ADHD) (2026). nimh.nih.gov
  3. Wolraich ML, Hagan JF Jr, Allan C, et al. (American Academy of Pediatrics). Clinical Practice Guideline for ADHD in Children and Adolescents (Pediatrics, 2019). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  4. American Academy of Pediatrics (HealthyChildren.org). Ten Tips for Your Child's Success in School (2019). healthychildren.org
  5. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico do Sono. Higiene do Sono: Atualização 2021 (Documento Científico nº 5). sbp.com.br

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